Sulamericana
Atlético reencontra o velho freguês Lanús em mais uma final continental
Atlético e Lanús decidem a Sul-Americana em um duelo marcado por história peculiar: os clubes só se enfrentam em finais, e o retrospecto é amplamente favorável aos mineiros.
Atlético e Lanús voltarão a se enfrentar em mais uma decisão continental, reforçando uma rivalidade rara e curiosa no futebol sul-americano: as equipes só se encontram quando há taça em disputa. O reencontro acontece no dia 22 de novembro, no Defensores del Chaco, valendo a Copa Sul-Americana. Para o Galo, é a chance do título inédito; para os argentinos, a possibilidade de repetir o feito de 2013. Até aqui, porém, o retrospecto é amplamente favorável ao lado brasileiro, invicto no confronto com três vitórias e um empate, todos registrados em finais anteriores.
A história entre os dois clubes começou em 1997, na antiga Copa Conmebol, torneio que antecedeu a atual Sul-Americana e reunia equipes de destaque nacional que ficavam fora da Libertadores. O Atlético, campeão da primeira edição em 1992, voltou ao torneio após o terceiro lugar no Brasileirão de 1996. O Lanús era o atual campeão e também avançou com força. O caminho mineiro incluiu vitórias sobre Portuguesa, América de Cali e Universitário, enquanto os argentinos deixaram para trás Real Santa Cruz, Vitória e Colón. A final, no entanto, foi dominada pelo Atlético desde a ida, quando aplicou um contundente 4 a 1 na Argentina. O empate por 1 a 1 no Mineirão apenas sacramentou o bicampeonato alvinegro e marcou a primeira de várias decisões vencidas contra o Lanús.
O destino só voltaria a cruzar os dois clubes em 2014, agora na Recopa Sul-Americana. O Galo chegava como campeão da Libertadores; o Lanús, embalado por seu maior título, a Sul-Americana de 2013. Novamente, o duelo começou na Argentina, e novamente o Atlético saiu com a vantagem ao vencer por 1 a 0. A partida de volta, no Mineirão, transformou-se em uma batalha épica. Tardelli abriu o placar cedo, mas Ayala empatou rapidamente. A virada veio com Santiago Silva, antes de Maicosuel igualar ainda no primeiro tempo. O drama se acentuou quando Acosta marcou no último lance dos acréscimos e levou a decisão para a prorrogação. No tempo extra, o Atlético virou novamente, desta vez com forte participação dos próprios argentinos: Gustavo Gómez marcou contra e, na sequência, Ayala mandou mais uma bola para as próprias redes, garantindo o triunfo por 4 a 3 e o título da Recopa.
Agora, mais de uma década depois daquele confronto eletrizante, Atlético e Lanús se reencontram em um cenário que já virou tradição: uma decisão continental. O Galo busca a taça que falta em sua galeria, enquanto o Lanús tenta reescrever a história contra um rival que, até hoje, nunca conseguiu superar em finais. A reincidência desse duelo reforça uma peculiaridade raríssima no futebol sul-americano: duas equipes que praticamente só se encaram quando há um título em jogo — e que reacendem, a cada encontro, a memória de confrontos marcantes, dramáticos e historicamente favoráveis ao time brasileiro.