Seleção Brasileira
Dell, o “Haaland do Sertão”: a joia do Bahia que explode no Mundial Sub-17 e vira destaque da Seleção
Atacante nascido em Estância acumula cinco gols, decide quartas no último lance e confirma status de maior promessa recente do Esquadrão e da base brasileira.
A Copa do Mundo Sub-17 costuma revelar personagens marcantes, e a edição de 2025 encontrou rapidamente seu protagonista brasileiro. Wendeson Wanderley, o Dell, centroavante do Bahia apelidado de “Haaland do Sertão”, vem transformando talento em decisão. Nesta sexta-feira, voltou a ser determinante ao marcar os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre Marrocos, incluindo o gol da classificação no último lance da partida, que colocou o Brasil na semifinal do Mundial.
Dell não surge por acaso. Com cinco gols em seis jogos, está entre os principais artilheiros do torneio e mantém média comparável aos nomes mais badalados da competição, como o português Anísio Cabral e o austríaco Johannes Moser. A combinação de força física, repertório de finalização e frieza absoluta dentro da área alimenta o apelido que ganhou ainda nas categorias de base do Bahia. E ele próprio abraça a comparação: Haaland é referência técnica e comportamental para o jovem atacante.
Natural de Estância, no Sergipe, Dell iniciou sua trajetória no Real Sergipe antes de chegar ao Bahia aos 13 anos. O impacto foi imediato. Em 2023, já era eleito o melhor atacante da base do clube, acumulando convocações, gols e decisões. A partir dali, sua projeção foi rápida: destaque nas competições sub-17, artilheiro em torneios regionais e peça fundamental nas conquistas estaduais da categoria. Seu desempenho chamou atenção interna e externa, o que levou o Bahia a blindá-lo com contrato até 2028 e multa superior a 600 milhões de reais, sinal claro de que representa um dos maiores ativos do Esquadrão.
A confiança não é apenas institucional. Dell estreou nos profissionais do Bahia em 2025, somando minutos importantes e mostrando características de centroavante moderno: presença diária na área, mobilidade para sair da zona central, finalização forte com as duas pernas e capacidade de impactar o jogo físico mesmo com pouca idade. Essas ferramentas, lapidadas ao longo dos últimos anos, ganharam alcance global no Catar.
Na Seleção Brasileira Sub-17, ele se tornou referência técnica e emocional. Depois de participações decisivas nas vitórias sobre Paraguai e França, ambas nos pênaltis, foi protagonista absoluto nas quartas de final diante de Marrocos. O primeiro gol mostrou instinto. O segundo, marcado aos 50 minutos do segundo tempo, expôs maturidade: arrancada, drible sobre o goleiro e frieza para empurrar a bola para o gol vazio.
Dell simboliza um projeto maior. No Bahia, representa a virada de chave de um clube reorganizado, com investimento pesado na base e integração metodológica do Grupo City. Na Seleção, é o retrato de uma geração agressiva, técnica e que voltou a produzir centroavantes de impacto internacional. Ainda na adolescência, parece claro que o Mundial Sub-17 é só o começo.
De Estância ao Qatar, do Real Sergipe ao Bahia e, agora, com o mundo prestando atenção, Dell confirma: o “Haaland do Sertão” não é apenas um apelido — é o prenúncio de uma carreira que tem tudo para atravessar fronteiras.