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Perto do Corinthians, Bruno Spindel carrega histórico delicado com Dorival e divide bastidores do clube
O Corinthians está prestes a anunciar Bruno Spindel como seu novo executivo de futebol, mas a possível contratação do ex-dirigente do Flamengo já provoca debates e cuidados nos bastidores do Parque São Jorge — principalmente pela sua história pregressa com o atual técnico alvinegro, Dorival Júnior.
Spindel participou de duas demissões de Dorival ao longo da última década e, embora o técnico campeão da Copa do Brasil de 2025 não vá se opor a decisões da diretoria, uma eventual convivência entre os dois exigirá reconstrução de confiança e alinhamento interno.
A primeira passagem polêmica entre ambos aconteceu em 2018, quando Dorival Júnior teve uma curta passagem pelo Flamengo. Mesmo com um vice-campeonato brasileiro, o treinador foi dispensado após três meses no cargo. Spindel, então CEO, participou diretamente da decisão.
O segundo episódio veio em 2022, em um dos momentos mais controversos da gestão do futebol rubro-negro. Após conduzir o Flamengo à conquista da Copa do Brasil e da Libertadores, Dorival foi novamente dispensado, dessa vez pela dupla Spindel e Marcos Braz, que apostou no português Vítor Pereira — demitido meses depois.
Dorival adota postura institucional, mas clima exige cuidado
Segundo apuração da Gazeta Esportiva, Dorival Júnior não planeja se opor à contratação de Spindel e entende que decisões sobre a direção de futebol cabem à presidência. No entanto, fontes do clube indicam que a relação entre os dois não é fluida e precisará ser trabalhada com cautela para evitar desgastes futuros.
A chegada de Spindel, portanto, não é apenas uma mudança de nome — mas uma mudança de filosofia e estrutura interna, que pode afetar diretamente o ambiente de trabalho montado por Dorival e sua comissão.
Entraves financeiros e ligações incômodas
Outro fator que complica a chegada de Bruno Spindel é o alto salário solicitado. O valor está acima dos outros dois nomes considerados pela diretoria corintiana, o que levou o presidente Osmar Stabile a consultar o setor financeiro antes de dar o aval final.
A análise está nas mãos de André Lavieri, gerente financeiro do clube e homem de confiança da presidência. Lavieri, porém, tem vínculos profissionais com a consultoria Alvarez & Marsal, que presta serviços à gestão corintiana e é ligada a Fred Luz, ex-CEO do Flamengo e parceiro de longa data de Spindel. A proximidade entre esses nomes causa certo desconforto em conselheiros e figuras políticas do clube, que veem na possível contratação mais do que uma simples escolha técnica.
Função diferente de Fabinho e nova estrutura em estudo
Além do aspecto pessoal e político, há uma diferença marcante entre o perfil de Spindel e o de Fabinho Soldado, seu antecessor. Enquanto Fabinho era conhecido por sua forte atuação na gestão de vestiário, logística e blindagem do CT, Spindel tem um estilo mais voltado para negociações estratégicas, gestão orçamentária e participação técnica.
Por isso, o Corinthians estuda desmembrar a função, criando uma nova vaga para cuidar exclusivamente do dia a dia no CT Dr. Joaquim Grava. A ideia é trazer um ex-jogador para o cargo, e o nome mais citado internamente é o de Paulinho, ídolo do clube e atualmente no Mirassol.
A eventual chegada de Paulinho agradaria à comissão técnica e ao elenco, mas a diretoria trata o tema como secundário neste momento. A prioridade absoluta é fechar com o novo executivo de futebol até a próxima segunda-feira, para não comprometer o planejamento da temporada 2026.
A possível chegada de Bruno Spindel representa um movimento ambicioso da diretoria corintiana, que busca profissionalizar ainda mais a gestão do futebol. Mas seu histórico com Dorival Júnior, as implicações políticas e o custo envolvido fazem da negociação uma equação delicada.
Se confirmado, Spindel terá o desafio de provar que pode virar a página e construir uma relação construtiva com o treinador — e com o clube — sem repetir os erros do passado.