Brasileirão
Luiz Gustavo rompe silêncio, diretoria rebate e Crespo admite necessidade de reconstrução no São Paulo
Após o 6 a 0 no Maracanã, desabafo de Luiz Gustavo escancara crise interna, Crespo fala em reconstrução e diretoria tenta conter o dano em reta final de Brasileirão.
O São Paulo viveu uma noite que dificilmente será esquecida. A derrota por 6 a 0 para o Fluminense, no Maracanã, não apenas expôs a fragilidade técnica e emocional da equipe na reta final do Brasileirão, como também detonou uma crise pública entre elenco, comissão técnica e diretoria. No centro desse terremoto está Luiz Gustavo, que após o apito final decidiu colocar para fora tudo aquilo que, segundo ele, vem sendo empurrado para baixo do tapete há muito tempo.
Visivelmente abalado, o volante fez um dos discursos mais duros já vistos de um jogador do São Paulo nos últimos anos. Para ele, o placar não foi obra do acaso: representa a soma de problemas acumulados e jamais enfrentados de forma séria.
“O São Paulo sempre foi sinônimo de grandeza, mas isso precisa ser sustentado por atitudes. Hoje não é só sobre futebol, é sobre responsabilidade. A gente errou, sim, e muito. Mas existe algo maior. É preciso que todo mundo — do topo até quem está aqui no campo — assuma o que tem que assumir”, afirmou o camisa 20, sem poupar ninguém.
Luiz Gustavo explicou que não sabe se continuará no clube em 2026, mas garantiu que sua fala não tem relação com futuro pessoal, e sim com o que considera ser o “caminho correto” para o São Paulo reencontrar competitividade.
Do outro lado, Hernán Crespo adotou um tom mais contido, mas não menos revelador. O treinador explicou que, desde seu retorno, ouviu repetidamente da diretoria que não haveria recursos para reforços e que a meta imediata era evitar o pior dentro do campeonato. Em meio a um elenco assolado por lesões e limitações, Crespo admitiu que o time está no limite.
“Eu vim com um objetivo muito claro: reorganizar o que fosse possível dentro de um cenário restrito. É difícil, sim, porque todo treinador quer opções. Mas nossa missão era sobreviver primeiro. Mesmo assim, sigo acreditando que é possível reconstruir, desde que exista clareza no planejamento”, declarou.
Mesmo com contrato até o fim de 2026, o argentino deixou nas entrelinhas que sua permanência dependerá do alinhamento com a cúpula tricolor — algo que ainda não parece totalmente definido.
O executivo de futebol, Rui Costa, também deu sua versão. O dirigente pediu desculpas à torcida e afirmou compreender a indignação do elenco. No entanto, discordou da generalização feita por Luiz Gustavo.
“Um resultado desse tamanho machuca todo mundo. O torcedor, o clube, os atletas. Entendo a revolta do Luiz, porque é uma figura experiente. Mas não é hora de acusar, e sim de agir. A responsabilidade é de todos, e precisamos trabalhar sem emoção para corrigir os erros”, disse.
A goleada, que já entrou para a história como a mais dura sofrida pelo São Paulo diante do Fluminense, acendeu todos os alertas no Morumbi. Faltando poucos compromissos para o fim do Brasileirão, o clube agora tenta lidar simultaneamente com a pressão esportiva, a instabilidade interna e a cobrança externa — um tripé que ameaça explodir de vez caso nada mude.
