São Paulo
Lesões no joelho freiam Lucas Moura e transformam 2025 em temporada de frustração no São Paulo
Atacante iniciou o ano como referência técnica, mas passou mais tempo em recuperação do que em campo e termina a temporada em busca de respostas físicas
A temporada de 2025 terminou de forma amarga para Lucas Moura. Tratado como uma das principais lideranças técnicas do São Paulo, o camisa 7 começou o ano em alta, mas viu o protagonismo escorrer entre os dedos à medida que problemas recorrentes no joelho direito comprometeram sua sequência, seu rendimento e, sobretudo, sua confiança física.
O início foi promissor. Lucas foi um dos destaques do Tricolor nas primeiras rodadas do Campeonato Paulista, decisivo em clássicos e participativo no jogo ofensivo. Nos confrontos contra Corinthians e Santos, balançou as redes três vezes e ainda teve papel direto na campanha estadual ao servir Jonathan Calleri na fase eliminatória.
A virada negativa da temporada aconteceu na semifinal do Estadual, diante do Palmeiras. Substituído no fim da partida, Lucas foi diagnosticado dias depois com um trauma no joelho direito. O afastamento, inicialmente tratado como pontual, acabou se estendendo por quase dois meses, revelando um quadro físico mais delicado do que o esperado.
O retorno aos gramados ocorreu em maio, mas longe das condições ideais. Pouco depois de voltar a atuar, o atacante voltou a sentir dores após um compromisso pela Copa Libertadores, contra o Alianza Lima. Exames posteriores apontaram uma lesão ligamentar parcial associada a um estiramento da cápsula posterior do joelho direito, quadro que exigiu nova interrupção na sequência.
Mesmo após novo período de tratamento, a tentativa de retomada em agosto foi marcada por limitações evidentes. Em campo, Lucas passou a dosar ações, evitou arrancadas e reduziu sua agressividade no um contra um — características que sempre definiram seu estilo. A opção inicial por tratamento conservador acabou não sendo suficiente, e o atacante precisou passar por uma artroscopia para retirada de fibrose no joelho, no fim de agosto.
A volta definitiva ocorreu apenas no fim de setembro, novamente pela Libertadores, em duelo contra a LDU. A comissão técnica comandada por Hernán Crespo adotou uma gestão cautelosa de minutos, priorizando preservação física. Ainda assim, Lucas conseguiu engatar sua maior sequência no ano, com sete jogos consecutivos, incluindo um gol de pênalti diante do Vasco.
Apesar disso, o rendimento ficou aquém das expectativas. Sem ritmo pleno e convivendo com desconforto constante, o camisa 7 não conseguiu ser decisivo como em outros momentos de sua trajetória. A frustração se refletiu também fora de campo, com críticas direcionadas tanto ao jogador quanto ao departamento médico do clube, que atravessou um processo de reestruturação ao longo da temporada.
O último jogo de Lucas em 2025 aconteceu contra o Red Bull Bragantino, pelo Campeonato Brasileiro. Desde então, o atacante passou por nova infiltração no joelho e permanece sob acompanhamento fisioterápico, já com foco total na preparação para 2026.
Os números ajudam a dimensionar o impacto das lesões: de 66 partidas disputadas pelo São Paulo no ano, Lucas ficou fora de 34. Atuou em apenas 26 jogos, 14 deles como titular, com cinco gols e uma assistência. Estatísticas modestas para um atleta acostumado a assumir protagonismo, mas que refletem uma temporada interrompida, irregular e fisicamente desgastante.
Para o São Paulo, 2026 surge como a esperança de um recomeço. Para Lucas Moura, mais do que isso, representa a necessidade de recuperar o próprio corpo — e, a partir dele, reencontrar o futebol que o transformou em referência no Morumbi.
