Arte: Futebol 360
No total, 22 atletas da Série A já poderiam dar entrada na dupla cidadania pelo tempo de moradia no país. Para escapar dos limites estabelecidos pela CBF em 2027 e além, os clubes terão que se adequar à nova regra proposta pela entidade. O zagueiro Walter Kannemann do Grêmio é um exemplo recente; ele naturalizou-se brasileiro em março de 2026 após atuar há uma década no futebol local.
O processo de naturalização demanda cumprimento das regras estabelecidas pela Lei de Migração, incluindo o tempo mínimo de residência e a capacidade de comunicação em português. Atualmente, é exigido que um estrangeiro tenha vivido no Brasil pelo menos quatro anos antes do pedido. Jogadores como Arrascaeta do Flamengo podem beneficiar-se desse mecanismo para não serem contabilizados como estrangeiros pela CBF.
No contexto atual da tabela de classificação, o Flamengo lidera com três jogadores que atuam há pelo menos quatro anos no Brasil e já estão na lista dos 23 que poderiam solicitar a dupla cidadania. O Palmeiras aparece em segundo lugar também com três nomes nessa situação. A regra da CBF, que entrará gradualmente em vigor até 2030, tem como objetivo principal ampliar o espaço para jogadores brasileiros mais jovens e reduzir a presença de estrangeiros no futebol nacional.
O que disseram
Estive no Brasil há uma década e consegui minha naturalização brasileira em março de 2026.” O advogado Jean Nicolau, especialista em direito desportivo, ressaltou que acordos internacionais do Mercosul podem abrir discussão sobre a nova regra: “Considerando os tratados em vigor do Mercosul, o Brasil não poderia ter cotas que restringem a participação de nacionais de países membros do bloco. Há especificamente um acordo firmado no âmbito do Mercosul pelos Estados membros e associados ao bloco que indica que não pode haver discriminação.”
Os próximos compromissos dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro prometem ser cruciais para o cumprimento das novas regras estabelecidas pela CBF. Clubes como Flamengo e Palmeiras terão atletas que podem dar entrada no pedido de dupla cidadania, permitindo a continuidade desses jogadores em quadro profissional brasileiro além do ano 2027. Isso significa que Arrascaeta e Agustín Rossi estão aptos para adquirir a cidadania, mas o processo demorou cerca de dois anos.
A regra também coloca em xeque a presença de jogadores sul-americanos nas equipes brasileiras, já que eles podem se beneficiar do Mercosul. Entretanto, há uma brecha jurídica que pode ser explorada pelos clubes e atletas com raízes familiares no Brasil ou aqueles com mais de quatro anos residindo aqui. Esse cenário promove um equilíbrio entre a manutenção do elenco atual e o cumprimento das novas regras, mantendo o interesse dos times em manter jogadores estrangeiros.
O que está em jogo agora é não só a composição dos times nos próximos anos, mas também como esses atletas se adaptarão às mudanças. O processo de naturalização pode levar tempo e exigir cumprimento de regras específicas, o que aumenta a complexidade para os clubes planejarem seus elencos com precisão.

