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Corinthians volta a uma final de Copa do Brasil carregando mais cicatrizes do que taças

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Contra o Vasco, Corinthians reencontra a Copa do Brasil como palco de glórias raras e frustrações frequentes, em uma história que mistura títulos, cicatrizes e peso emocional

O Corinthians chega à sua oitava final de Copa do Brasil em um ponto curioso da própria história. Dono de três títulos no torneio, o clube entra em mais uma decisão não como um especialista em finais, mas como um sobrevivente delas. Ao longo de quase três décadas de participações decisivas, o Timão acumulou episódios de glória, mas também frustrações marcantes que ajudaram a moldar a relação emocional do clube com o mata-mata nacional.

A decisão contra o Vasco, que começa nesta quarta-feira, não representa apenas a chance de encerrar um jejum de 16 anos sem levantar a taça. Ela também coloca o Corinthians diante de um espelho histórico: sempre que chegou a esse estágio, raramente saiu ileso, mesmo quando venceu.

O início dessa trajetória foi promissor. Em 1995, o Corinthians conquistou a Copa do Brasil de forma surpreendente, superando o Grêmio em dois confrontos sólidos. Aquele título não apenas inaugurou a galeria alvinegra no torneio como também marcou o clube como o primeiro paulista a vencer o mata-mata nacional. A conquista teve peso simbólico e abriu caminho para novas ambições.

Sete anos depois, em 2002, veio o bicampeonato diante do Brasiliense, em uma final que exigiu paciência e resiliência. O Corinthians venceu o jogo de ida em São Paulo e confirmou o título fora de casa, reforçando uma característica que se repetiria nos triunfos seguintes: levantar a taça longe de seus domínios.

O terceiro título, em 2009, talvez tenha sido o mais intenso emocionalmente. Contra o Internacional, o Corinthians construiu vantagem no primeiro jogo, mas viveu momentos de tensão no Beira-Rio, em uma final marcada por gols, confusão e clima hostil. O empate em Porto Alegre foi suficiente, mas deixou claro que, mesmo quando campeão, o clube raramente atravessa decisões com tranquilidade.

A partir daí, a balança passou a pender para o lado das decepções. Em 2001, ainda antes do tricampeonato, o Corinthians perdeu uma final justamente para o Grêmio, em um roteiro doloroso no Morumbi. Em 2008, o título escapou de forma traumática contra o Sport, após vitória em casa e derrota fora que ficou marcada pelo peso do gol qualificado.

A final de 2018, já na Neo Química Arena, adicionou mais um capítulo à lista de frustrações. Diante do Cruzeiro, o Corinthians viu um gol anulado pelo VAR que poderia ter mudado a história da decisão. O desfecho silencioso em Itaquera reforçou a sensação de que o torneio havia se tornado um território instável para o clube.

Em 2022, o trauma ganhou contornos dramáticos. Após dois empates contra o Flamengo, a decisão foi para os pênaltis no Maracanã. O Corinthians chegou a ter vantagem na série, mas desperdiçou cobranças decisivas e saiu novamente como vice, em uma noite que ainda ecoa na memória do torcedor.

Agora, diante do Vasco, o Corinthians tenta ressignificar essa relação. Não entra como favorito absoluto nem como franco azarão. Entra como um clube experiente em finais, mas consciente de que a Copa do Brasil, historicamente, cobra um preço alto do Timão — independentemente do resultado.

Do outro lado, o Vasco chega à sua terceira final no torneio com um retrospecto mais enxuto, mas igualmente marcado por extremos. Campeão em 2011 e vice em 2006, o clube carioca encara a decisão como oportunidade de ampliar uma história que, até aqui, se divide exatamente entre sucesso e frustração.

Para o Corinthians, porém, a final carrega um peso adicional. Não é apenas a busca por um quarto título. É a tentativa de provar que, depois de tantos episódios dolorosos, ainda é possível transformar cicatrizes em combustível — e não em bloqueio — quando a bola começa a rolar.